(im)pertinências


Há ausências muito pertinentes. E vinhos que ganham corpo, vontade e alma no reflexo da lareira apagada pelo calor deste verão que se atrasou. E há defesas, sim, essas que poderiam derreter-se num «até breve» demorado. Mas que não cedem à tentação das promessas dos riscos que estão sob o vidro e a porcelana. Faz muito tempo que os cacos não fazem parte daquilo que quero apanhar. E o falso acrílico é sempre mais seguro.

4 comentários:

Anónimo disse...

As ausências só são pertinentes quando há receio que se tornem em presenças. Mas a evocação do vinho como vontade e alma pode ser considerada como um vício e há vícios que são pertinentes. Mas o vinho tem o dom de não ser pressionável ao tempo e as defesas que o vinho tem ficam escondidas nos anos que passam. O vinho corre o risco de de ser solitário, porque aprende a viver sozinho e constroi-se em si próprio, ao contrário de um chocolate que está com uma vontade enorme de ser comido. É que as suas defesas apenas se resumem a um simples pedaço de papel. O risco é sempre diminuto, porque afinal o vinho até parece ser de boa qualidade.

Anónimo disse...

Sabem que mais... "Nenhum Homem é uma ilha", no nosso bom português (por vezes com algumas lacunas de acentuação, mas... ). E dizia eu que isto de se andar solitário entre a gente, só em poemas e canções é que fica bem e rima... Na realidade da vida, do dia a dia, sabe sempre bem ter alguém, um ser vivo, que fale, que ria, que abrace,que diga "até já" - porque significa que houve um "olá" antes; que persista, mesmo quando tudo avaria dentro de nós... Simplesmente sabe bem. O corpo merece e a alma agradece e como diz a música..."sabe bem, ter-te por perto...". Quando tudo isto não for suficiente, olhem, nenhum bom vinho merece a solidão de o saborear, é simplesmente cruel e egoísta!

Já agora: As coisas que tememos mais, já nos aconteceram...

Dá que pensar, não dá?

Vanda Saraiva disse...

Se havia coisa que detestava era os malditos collants: lisos, ás riscas, com bolas... era tudo igual! Talvez quando fôr mais velhinha os volte a usar... por causa do frio ;)


Beijinho,
Vandina ***

ivone disse...

esquece os cacos.
esquece o falso acrílico só porque é mais seguro...
reveste_te de porcelana...fina claro!